Inteligência artificial para pequenas e médias empresas: veja usos, ferramentas e boas práticas
Coordenador de IA da Cora, Luís Felipe Gomes Molina, explica como negócios podem usar inteligência artificial com estratégia, segurança e foco em resultado
O Brasil tem registrado um expressivo crescimento no número de pessoas empreendedoras, e muitos desses pequenos negócios já incorporam novas tecnologias, especialmente ferramentas de inteligência artificial, à rotina.
É o que mostra o SMBs Work Change Report, relatório do LinkedIn divulgado em fevereiro de 2026.
Segundo essa pesquisa:
- o número de profissionais brasileiros com título de “founder” (fundador) em seus perfis no LinkedIn cresceu 64% em 2025;
- 85% dos profissionais de PMEs (pequenas e médias empresas) no Brasil disseram acreditar que a tecnologia vai melhorar sua rotina de trabalho;
- 43% disseram que já usam a IA para tarefas mais avançadas, como criação de estratégia e análise de dados.
Diante desse crescimento, o coordenador do time de IA da Cora, Luís Felipe Gomes Molina, apresenta orientações para quem deseja iniciar do zero, explica como ferramentas como ChatGPT e Gemini apoiam a automação de processos e reúne recomendações de segurança e boas práticas.
Por que usar inteligência artificial nos negócios?
Segundo Molina, as empresas que ainda não adotam ferramentas de inteligência artificial perdem espaço no mercado, pois deixam de acessar ganhos relevantes de eficiência e estratégia.
“É preciso considerar que concorrentes já utilizam IA para tomar decisões mais rápidas e embasadas, o que amplia a vantagem competitiva”, afirma.
“Sendo bem objetivo, o importante é começar agora. A pessoa empreendedora, com essa democratização dos acessos às ferramentas de IA, tem uma grande oportunidade de fazer mais com menos.”
O especialista também destaca que é importante “desmistificar o uso da IA”, porque essa é uma tecnologia presente em vários processos do dia a dia das pessoas há muitos anos.
Por exemplo, o limite do cartão de crédito de uma pessoa costuma ser definido por sistemas baseados em modelos de dados e machine learning. Da mesma forma, algoritmos de IA analisam padrões de comportamento para sugerir filmes na Netflix e personalizar recomendações em diferentes plataformas.
Quais são as principais ferramentas de inteligência artificial para pequenas empresas?
Molina elenca as três ferramentas mais difundidas até o momento:
- ChatGPT, da OpenAI.
- Gemini, do Google.
- Claude, da Anthropic.
Além disso, o especialista da Cora destaca que o NotebookLM, ferramenta de IA do Google baseada no Gemini, é altamente eficaz para estudo, pesquisa, síntese de documentos e criação de vídeos e podcasts. A ferramenta integra os planos pagos do Google Workspace.
“Nos últimos dois, três anos, houve uma quebra de barreira técnica que democratizou o acesso das ferramentas de IA para PMEs. Agora eles podem testar e gerar mais resultados”, explica Molina.
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Como escolher a melhor ferramenta de inteligência artificial para pequenas empresas?
Molina afirma que, antes de escolher qualquer ferramenta, é essencial definir com clareza qual problema a pessoa empreendedora precisa resolver.
Como orientação prática, recomenda identificar três processos da rotina que mais consomem tempo no negócio, como responder e-mails, escrever posts para redes sociais ou analisar planilhas de fluxo de caixa.
Após esse mapeamento, a escolha da ferramenta de inteligência artificial deixa de ser genérica e passa a responder a uma demanda específica, com foco na redução da carga operacional ou no aumento de vendas, por exemplo.
Como usar IA para resolver problemas do dia a dia do negócio?
Após identificar as principais dores do negócio, a pessoa empreendedora deve buscar a ferramenta mais adequada e solicitar apoio para a tarefa que consome tempo, por meio de um comando claro, também conhecido como prompt.
Se a principal dificuldade está na redação de e-mails, a pessoa pode recorrer a uma ferramenta como o ChatGPT e solicitar a elaboração de um modelo padronizado para a empresa.
Mas, atenção: “Quanto mais contexto eu dou para a IA, maior a chance de ela me dar uma resposta mais adequada, ideal para o que eu preciso”, diz o especialista.
No prompt, é essencial informar qual é a empresa, qual o objetivo do e-mail, quem é o destinatário, qual o tom de voz adequado e quais diretrizes de marca devem ser respeitadas. Quanto mais específico o comando, maior a chance de obter um resultado alinhado à intenção da tarefa.
Molina reforça que o teste constante faz parte do processo de aprendizado. “Todo mundo aprende e experimenta ao mesmo tempo. Estamos no mesmo barco, porque a tecnologia evolui em ritmo acelerado”, afirma.
Por isso, a pessoa empreendedora precisa encarar o uso de IA como um ciclo contínuo: experimentar, errar, corrigir e testar de novo. Segundo Molina, essa dinâmica amplia o repertório e acelera o aprendizado.
Boas práticas e cuidados de segurança no uso de IA nos negócios
O especialista cita três principais boas práticas que estão diretamente ligadas a questões de segurança no uso da inteligência artificial.
1. Senso crítico e revisão de tudo o que é feito pela IA
Molina compara as ferramentas de IA a um time de novos estagiários muito talentosos. “Eles podem fazer muitas coisas, mas precisam de orientação e você vai precisar depois revisar os resultados daquele uso”, diz ele.
Em outras palavras, quando usada de forma adequada, a IA amplia a capacidade operacional da empresa, como se um novo time de assistentes passasse a apoiar as tarefas do dia a dia.
No entanto, Molina faz uma ressalva: “Ao mesmo tempo que ganhamos muita capacidade nessa colaboração entre humano e IA, é preciso orientar e revisar. A IA, assim como um estagiário, pode cometer erros, e cabe à empresa manter atenção a esses mecanismos.”
Ele alerta que ferramentas de IA podem apresentar informações incorretas quando não encontram dados suficientes para responder ao que foi solicitado. A responsabilidade pelo conteúdo gerado, porém, recai sobre a pessoa empreendedora, e não sobre a tecnologia, que permanece sujeita a falhas.
Então, as lições que ficam são:
- sempre revisar;
- manter o senso crítico sobre as respostas apresentadas, e não acreditar cegamente no que a IA diz.
2. Cuidado com divulgação de dados sensíveis
Outro ponto é evitar divulgar dados sensíveis, principalmente para as versões gratuitas das ferramentas. Isso inclui, por exemplo, dados dos clientes, senhas e CPFs.
“Nada disso pode ir para uma IA pública. Porque, principalmente nesses modelos gratuitos, elas usam as conversas para treinar o modelo. Se inserir dados sensíveis, aquele modelo vai armazenar aqueles dados e futuramente pode expor esses dados em outras conversas.”
Ele diz que as versões pagas garantem uma privacidade maior, com a possibilidade de os dados privados não serem usados para treinamento.
3. Atenção à divulgação de dados estratégicos
A mesma lógica diz respeito à divulgação de dados estratégicos para a empresa, como metas ou planos que ainda não foram colocados em prática.
“Tudo o que você não gostaria que outras pessoas soubessem, evite inserir na IA gratuita. E, nas versões pagas, tem que checar se os dados estão ou não sendo usados para treinamento.”
Quando vale a pena investir em ferramentas pagas de IA para pequenas empresas?
Nesse ponto, a orientação do especialista é iniciar com uma ferramenta gratuita. Caso a avaliação indique ganho real de eficiência, o passo seguinte é migrar para a versão paga, que permite o uso de dados mais sensíveis e amplia o acesso a recursos avançados e insights mais estratégicos.
“Testa, vê se faz sentido para o negócio, se está economizando algumas horas. Traz ROI [retorno sobre o investimento]? Existe retorno? Então, vale a pena assinar.”
Molina diz que, em muitos casos, a empresa já paga por ferramentas, como o Google Workspace, que incluem recursos de IA com versões avançadas do Gemini. Por isso, recomenda verificar os serviços já contratados antes de buscar novas soluções sem necessidade.
Quais são os principais usos de IA para pequenas empresas?
Afinal, o que pode ser automatizado por quem conduz o próprio negócio para tornar a rotina mais eficiente? Luís Felipe Molina aponta algumas possibilidades:
- para apoiar a comunicação, como criação de posts para redes sociais, redação de e-mails e elaboração de FAQs, entre outras demandas recorrentes;
- para atendimento ao cliente, com rascunho de respostas, por exemplo;
- para atividades financeiras e de gestão, como fazer resumo de extratos, categorização de despesas, montar planilhas e criar projeções;
- para analisar documentos jurídicos, como entender cláusulas de contrato e até redigir contratos mais simples (sempre com a validação posterior de um advogado);
- para gerar novas ideias para o negócio, avaliar oportunidades de produtos, analisar mercado e concorrência e apoiar decisões de precificação.
Ao automatizar processos como esses, a pessoa empreendedora ganha agilidade e base analítica para decisões mais rápidas e mais consistentes.
Como a Cora usa tecnologia e IA para apoiar PMEs?
A Cora é uma conta PJ digital que se posiciona, desde o início, como uma instituição financeira parceira em tecnologia para PMEs, com foco em produtos que simplificam a rotina dos negócios. Nesse contexto, a IA assume papel estratégico ao ampliar eficiência, inteligência operacional e capacidade de decisão.
Por exemplo, a IA é usada no atendimento da Cora, na detecção de fraudes (que ajuda a criar um ecossistema mais seguro para quem empreende) e em todas as funcionalidades do app, como a régua de cobrança e a planilha de fluxo de caixa em tempo real.
A Cora também disponibiliza, para parte da base de clientes, uma Central de Benefícios que reúne funcionalidades com apoio de IA, incluindo recursos para geração de posts para redes sociais e outras demandas operacionais.
“Tudo já é pensado para tirar essa complexidade da rotina de quem empreende. Porque a Cora já tem esse DNA de simplificar a vida dos clientes através da tecnologia. A IA é mais um capítulo nessa história”, diz Molina.
Ele antecipa que um dos principais objetivos para 2026 é investir em agentes de IA capazes de ampliar a autonomia das pessoas empreendedoras e simplificar ainda mais a gestão do negócio:
“Por exemplo, um agente de cobrança que possa, de forma totalmente autônoma, avaliar os boletos que o cliente tem a receber e ele mesmo fazer a cobrança e o recebimento. Isso vai tirar uma grande carga operacional do dia a dia dos PMEs”, conclui o coordenador.
Automatizar processos também passa por ter uma conta PJ simples e inteligente. Abra uma conta gratuita na Cora, a empresa que nasceu para facilitar o dia a dia de quem empreende.